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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Custo de mão de obra mais que duplica e puxa INCC-M


BEATRIZ BULLA - Agencia Estado

25 de fevereiro de 2013 | 9h 18 - SÃO PAULO - O grupo Mão de Obra apresentou a maior variação positiva em pontos porcentuais dentro do Índice Nacional de Custos da Construção - Mercado (INCC-M) de fevereiro, ao passar de 0,39% na divulgação do mês anterior para 1,00% neste mês, apurou a Fundação Getulio Vargas (FGV). Os três itens que compõem o grupo apresentaram acréscimo em suas taxas de variação: Auxiliar (de 0,45% em janeiro para 1,00%), Técnico (de 0,37% para 0,97%) e Especializado de (0,23% para 1,12%).

De acordo com a FGV, a aceleração no grupo Mão de Obra em fevereiro foi consequência de reajustes salariais ocorridos em Belo Horizonte, onde a taxa passou de 2,60% para 6,27%. Em Porto Alegre, a taxa de 2,24% decorre de adicional previsto no acordo coletivo e em Salvador e São Paulo as taxas apuradas refletem "pequenas oscilações de mercado", avalia a instituição.

Em fevereiro, o INCC-M apresentou variação de 0,80%, ante 0,39% registrado no mês anterior. Entre as maiores influências positivas no indicador deste mês estão a ajudante especializado (de 0,35% para 0,90%), servente (0,61% para 1,16%), carpinteiro - fôrma, esquadria e telhado (de 0,41% para 1,05%), pedreiro (de 0,33% para 0,97%) e engenheiro (de 0,07 para 1,25%).

Já as maiores influências negativas no INCC-M de fevereiro foram: aluguel de máquinas e equipamentos (-0,11% para -0,14%), vergalhões e arames de aço ao carbono (de -0,12% para -0,08%), materiais elétricos (de 0,35% para -0,06%), massa de concreto (-0,19% para -0,01%) e massa corrida para parede - PVA (2,45% para -0,02%).

No grupo Materiais, Equipamentos e Serviços, que passou de 0,39% para 0,59%, o índice correspondente a Materiais e Equipamentos registrou acréscimo na sua taxa (de 0,30% para 0,57%). Dos quatro subgrupos componentes, três apresentaram acréscimo em suas taxas de variação: materiais para estrutura (0,16% para 0,31%), materiais para instalação (0,47% para 1,42%) e equipamentos para transporte de pessoas (0,39% para 0,90%). Já o índice de Serviços foi de 0,70% em janeiro para 0,69% em fevereiro. A FGV destacou, em serviços, a desaceleração do subgrupo serviços pessoais (de 0,68% para 0,47%).

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Minha Casa, Minha Vida vira um pesadelo para investidores europeus



KARLA MENDES, ESPECIAL PARA O ESTADO, MADRI, BELO HORIZONTE - O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 2h 06 - Concebido para realizar o sonho de milhões de brasileiros, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) tornou-se um pesadelo para muitos investidores europeus. A violenta retração do mercado imobiliário em países como Espanha, Itália, Portugal e até Inglaterra, consequência da crise econômica que o continente atravessa, provocou um movimento de migração de construtoras, incorporadoras e fundos de investimento para o Brasil.

Lançado num momento de forte depressão econômica na Europa, o Minha Casa, Minha Vida, com cifras grandiosas para construir milhões de moradias populares num curto espaço de tempo, parecia bastante sedutor para essas companhias, que cruzaram o Atlântico em busca de alta rentabilidade, o que compensaria a ociosidade da demanda europeia.

Os empresários europeus atuaram basicamente em duas frentes: constituindo subsidiárias no País ou associando-se a empresas locais. Ao se instalarem em terras brasileiras, porém, a realidade para muitos deles foi bem distinta da que motivou a vinda para o Brasil. A principal reclamação é que a burocracia para a aprovação de projetos resultou em atrasos para a assinatura dos contratos, execução das obras e recuperação do capital investido, tornando muitos empreendimentos inviáveis, segundo os empresários.

'Nunca mais'. "Eu não quero participar do Minha Casa, Minha Vida nunca mais", sentenciou Sílvio Bezerra, presidente da Ecocil, a maior construtora e incorporadora do Rio Grande do Norte. A decisão de não investir mais no programa foi tomada em conjunto com o sócio inglês, o fundo de investimentos Salamanca Capital, que detém atualmente 65% da companhia. A gestão da companhia é compartilhada com os empresários brasileiros, que a fundaram há 64 anos.

A empresa tem um único projeto no Minha Casa, Minha Vida, para consumidores com renda de seis a 10 salários mínimos em Natal, que demorou um ano e meio para ter a análise de risco aprovada, de acordo com o executivo. "A Caixa pediu até identidade e CPF do dono da empresa na Inglaterra", relatou Bezerra.

Segundo ele, em função desse atraso, dos R$ 12 milhões investidos com capital próprio, a Caixa só reembolsou R$ 1,5 milhão até agora. Esse atraso, de acordo com Marcelo Freitas, diretor financeiro da empresa, jogou por terra a análise de risco feita na tomada de decisão dos investidores, quando a projeção de investimentos com recursos próprios seria de menos de 5%.

"É um banho de água fria muito grande. Os investidores estrangeiros têm um nível de sofisticação incrível e cálculos bem precisos que não comportam esse tipo de situação", afirmou o executivo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

NOVO TERMO DE RESCISÃO


Empresas devem adotar novo termo de rescisão

Por Adriana Aguiar | De São Paulo

As demissões que ocorrerem a partir de hoje terão chances menores de resultarem em processos trabalhistas. Isso porque, as empresas estão obrigadas, pelo Ministério do Trabalho e Emprego, a utilizar o novo Termo de Rescisão de Contrato de Trabalho, que traz campos mais detalhados para discriminar o pagamento das verbas rescisórias como férias, 13º salário, horas extras e descontos.

O novo modelo pode ser impresso a partir da Portaria nº 1.057, de 6 de julho de 2012. Sem isso, os empregados não conseguirão sacar o seguro-desemprego e o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) na Caixa Econômica Federal.

A intenção do Ministério do Trabalho com a mudança foi oferecer mais segurança às partes. Para o trabalhador, porque o modelo detalha todos os direitos rescisórios, como valores de horas extras. Já o empregador terá em mãos um documento mais completo, em caso de futuras ações judiciais.

A advogada Ana Karina Buso, do escritório Mascaro Nascimento Advocacia Trabalhista, também entende que a medida é benéfica e deve potencialmente reduzir o número de ações. "A maioria do passivo trabalhista se dá pelo sentimento do trabalhador de ter sido lesado. Com o novo termo, ele terá o detalhamento do que foi pago", diz.

Com a descrição minuciosa, até mesmo do percentual de horas extras - que pode variar de 50% a 100% dependendo da convenção coletiva - haverá menos dúvidas do trabalhador sobre as verbas pagas, avalia Ana Karina.

Ao exigir mais clareza nos procedimentos, isso também será benéfico principalmente para as micro e pequenas empresas que não dispõem de um setor de Recursos Humanos preparado para esclarecer as dúvidas do trabalhador, de acordo com a advogada.

O novo termo é obrigatório para todos, até mesmo para os empregadores domésticos, alerta Marcel Cordeiro, do Salusse Marangoni Advogados. Ele ainda afirma que isso deve trazer uma segurança extra para todos os empregadores. Até porque a Súmula nº 330, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), determina que não serão pagos novamente em uma eventual ação judicial todas as verbas que foram discriminadamente quitadas e que constem no recibo.

O novo termo deverá ser impresso em duas vias: uma para o empregador e outra para o empregado. O documento ainda deverá ser acompanhado do Termo de Homologação para os contratos com mais de um ano de duração que necessitam de assistência do sindicato dos trabalhadores ou do Ministério do Trabalho ou do Termo de Quitação, para contratos com menos de um ano e que não exigem a assistência sindical. Os Termos de Homologação e o Termo de Quitação terão que ser impressos em quatro vias, uma para o empregador e três para o empregado - duas delas utilizadas pelo trabalhador para sacar o FGTS e solicitar o seguro-desemprego.

O prazo inicial para a entrada em vigor da medida era fim de 2012, mas foi adiado, segundo o governo, para dar mais tempo paras as empresas se adaptarem. O novo prazo foi estabelecido pela Portaria nº 1.815, de 1º de novembro de 2012.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Abramat prevê alta de 4,5% nas vendas de materiais


Por Ana Fernandes e Chiara Quintão | De São Paulo

A indústria de materiais para construção, que teve um desempenho modesto no ano passado, apresenta perspectivas positivas para 2013. A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) divulga hoje expectativa de crescimento de 4,5% das vendas do setor para o ano. "E essa expectativa, pode-se dizer, será com viés de alta", disse Walter Cover, presidente da Abramat, em entrevista ao Valor, ao afirmar que essa elevação pode ser ainda superior, de até 5%.

O número poderá representar uma aceleração significativa em relação ao ano passado. A Abramat ainda não consolidou os dados, mas a última estimativa apresentada era de um aumento tímido de 2% nas vendas em relação a 2011. Considerando os dois principais segmentos desse setor, a estimativa da associação apontava uma alta de 4% para materiais de acabamento e de 1% para materiais de base, que sofreram com a freada em obras de infraestrutura no país.

Para 2013, a Abramat espera que a divisão de materiais de acabamento continue puxando as vendas, mas poderá ter um equilíbrio maior entre os dois segmentos. A previsão é que esses materiais, utilizados nas fases finais das obras, cresçam na faixa de 6%, enquanto os produtos de base avancem cerca de 3%, informou Cover.

Pela ótica do consumo, a venda de materiais é dividida em três principais mercados, de varejo, puxado pelas reformas residenciais; imobiliário, que se resume a empreendimentos novos com consumo das construtoras; e infraestrutura, que representa a compra de materiais para grandes obras, como de rodovias, ferrovias, portos e estádios para a Copa de 2014.

A expectativa da Abramat é que o varejo repita, neste ano, o desempenho do ano passado, com crescimento da ordem de 7%. Cover afirmou que essa avaliação se deve à continuidade de fatores como aumento da renda das famílias e alto nível de emprego. O mercado imobiliário também pode manter o ritmo de crescimento, da ordem de 4% ao ano, pois a queda de lançamentos das incorporadoras só será sentida em 2014, segundo o executivo. De acordo com Cover, o grande fator de otimismo são as obras de infraestrutura, que serão retomadas mais fortemente no segundo semestre. Esse setor, que teve uma queda estimada em 10% nas vendas do ano passado, crescerá 6% em 2013, de acordo com a Abramat. "Esperamos que as obras de rodovias, ferrovias e portos comecem a sair já no primeiro trimestre e isso surta efeito para venda de materiais na segunda metade do ano".

Principalmente entre as fabricantes de materiais para acabamento, o clima é de otimismo quanto à evolução das vendas em 2013. A Deca, divisão de louças e metais sanitários da Duratex, e a Eternit não deram números, mas vão manter crescimento acima do desempenho de mercado, como em 2012.

Até setembro do ano passado, a Deca acumulava receita de R$ 863 milhões, alta de 7,3% na comparação com os nove primeiros meses de 2011. Em entrevista ao Valor Pro, serviço de informação em tempo real do Valor, o diretor comercial da Deca, Roney Rotenberg, disse que as vendas cresceram ainda mais entre outubro e dezembro. "Estamos bastante otimistas. No último trimestre do ano, as lojas estavam cheias e o pessoal comprando".

Elio Martins, presidente da Eternit, afirmou que a perspectiva otimista se sustenta nos indicadores atuais de emprego e renda, nas linhas de crédito disponíveis, nas unidades habitacionais a serem construídas para o programa Minha Casa, Minha Vida e nos investimentos em infraestrutura. A Eternit acumulou receita líquida de R$ 651 milhões, alta de 8% em relação a igual período de 2011.

A Eucatex, por sua vez, afirmou ver quadros distintos para suas diferentes linhas de produto. A empresa informou que repetirá o crescimento das vendas de painéis para portas e de pisos laminados, que avançaram respectivamente na faixa de 10% e 30% em 2012. Já a divisão de tintas, a empresa tem expectativa que se recupere de uma estagnação para uma alta de 4% a 5% em 2013.

Ao Valor Pro, o vice-presidente e diretor de relações com investidores da companhia, José Antonio Goulart de Carvalho, disse não compreender por que a divisão de tintas da companhia teve esse desempenho fraco em 2012, já que é um produto consumido majoritariamente para reformas e o consumo das famílias seguiu aquecido. "Não entendo por que este ano [2012] foi tão morno; o nível de emprego, a massa salarial continuam muito positivos". De toda forma, o executivo se disse convicto de ter elementos para sustentar um "otimismo responsável", sem previsões de grandes revés nos negócios este ano. Até setembro, a Eucatex acumulou receita líquida de R$ 699 milhões, em alta de 4,8% na comparação com os nove primeiros meses de 2011.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Assista o vídeo e verifique a importância da qualidade dos materiais e da mão de obra


Edição do dia 09/01/2013
09/01/2013 10h02 - Atualizado em 09/01/2013 10h02

Veja alguns cuidados para evitar dores de cabeça com obras mal feitas

O primeiro passo está na loja de materiais de construção. Na compra, é importante ver se há o certificado de qualidade na caixa do produto.


Neste começo de ano, tem muita gente fazendo obra em casa. É reforma do banheiro, da cozinha, mas nem sempre dá tudo certo. Alguns cuidados precisam ser tomados para evitar que, o que seria uma solução, não acabe virando uma dor de cabeça.

A brincadeira na varanda de casa foi interrompida por um corte no pé. O piso rachou assim que Matheus Pereira da Silva, de 11 anos, pulou sobre a placa de cerâmica. “Ficar de férias com o pé machucado, eu nunca esperava que isso ia acontecer na minha vida”, conta o menino.

A obra é recente e durou as duas primeiras semanas de dezembro, mas os defeitos não demoraram a aparecer. Basta um toque para a textura da parede sair, e o piso já quebrou.

Edson Pereira da Silva investiu quase o 13º salário inteiro para reformar a sala e a varanda. Só depois que o serviço ficou pronto que ele se deu conta do prejuízo que teve. Algumas placas do piso da sala estão se soltando, e ele vai ter que refazer toda a obra.

“Ficou horrível, um desencontro do piso, de um para o outro, rejunte de cada uma de um jeito. Um está mais alto, o outro está mais baixo. Eu fiquei sem garantia nenhuma porque eu errei de não ter pedido um recibo a ele”, afirma.
Mas como é possível evitar acidentes dentro de casa, por causa de uma obra mal feita? O primeiro passo está na loja de materiais de construção. Na hora da compra, é importante ver com atenção se há o certificado de qualidade na caixa do produto.

Fique atento se tem o selo das instituições de controle, que pode ser do Inmetro ou da ABNT, a Associação Brasileira de Normas Técnicas. O certificado aparece como ISO 9001 ou NBR, que é o registro de qualidade atestado pela associação.

Marli Santos não tomou esse e outros cuidados quando fez a cozinha há 15 anos, e teve dor de cabeça. “Os azulejos estão saindo, vou ter que colocar de novo, trocar tudo”, conta.

Outras dicas simples podem ajudar a fugir de problemas futuros. “Observar as juntas de dilatação entre uma cerâmica e outra, estar todas eles em uma mesma medida. Depois de terminado o serviço, pode fazer um exame de percussão. Com um simples cabo de vassoura, ao contrário, batendo nas peças. Quando tiver peças ocas, retirar estas peças e colocar de novo. As peças têm que estar niveladas, com caimento para os ralos para não ficar água acumulada, que vai infiltrando entre as juntas. Se não puder contratar uma empresa de engenharia, pedir sempre o auxílio de um mestre de obras ou de um engenheiro para fazer este serviço”, orienta Flavio Sampaio, engenheiro de obras.

“Eu colhi informações com amigos que fizeram obras recentemente. Fui ver a obra da equipe, achei o trabalho legal, o custo também. Mas é importante levar em consideração as experiências”, afirma Arnaldo Coutinho, petroleiro.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

'É um custo alto, mas que valoriza o imóvel'


O Estado de S.Paulo

O engenheiro civil Luiz Roberto Salvador, de 52 anos, apostou na ideia da autoprodução e instalou os painéis em sua nova casa, em Campinas - um investimento de R$ 44 mil para a instalação de 16 painéis. "Desde o início, quis construir uma casa sustentável", diz. "É um custo alto, mas acredito que terá retorno quando começar a valer o sistema de crédito. Além disso, valoriza o imóvel."


Em 80 dias, os painéis da casa produziram cerca de 1,4 mil quilowatts-hora, metade do que a família consumiu no período. "Espero que, em breve, a gente consiga compensar todo nosso consumo com a eletricidade vinda do nosso telhado." / B.D.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Crédito para imóveis já supera o de carros


09 de dezembro de 2012 | 8h 38
 AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - O crédito destinado para o setor habitacional e imobiliário superou o do setor automotivo pela primeira vez no Brasil. A virada ocorreu em agosto e a diferença tem aumentado, revelam dados do Banco Central que foram elaborados pelo Estadão Dados.

Em setembro, as operações de crédito para compra de imóveis por pessoas físicas e jurídicas chegaram a R$ 334,6 bilhões, enquanto o setor automotivo ficou com R$ 319 bilhões. "O Brasil vem tirando um atraso no crédito imobiliário. Antigamente era muito difícil conseguir um financiamento", afirmou Luis Eduardo Assis, economista e ex-diretor do Banco Central.

O aumento do crédito imobiliário tem sido impulsionado pela pessoa física. Por esse recorte, o saldo já é maior do que o do setor automotivo desde janeiro. Este ano, até outubro, as operações de crédito imobiliário aumentaram R$ 57,3 bilhões, enquanto as do automotivo cresceram R$ 533 milhões.

O setor imobiliário foi beneficiado pela redução das taxas de juros, crescimento do emprego e aumento da massa de rendimento real. Por outro lado, o setor automotivo sofre uma ressaca da enxurrada de crédito que houve em 2009 e 2010, quando o governo reduziu impostos - como IPI - para ajudar na recuperação da economia e prazos para financiamento também foram alongados. Como reflexo dessas medidas, houve um aumento da inadimplência, o que fez com que as concessões fossem travadas este ano. Em outubro, segundo dados do BC, a inadimplência no setor foi de 5,9%, abaixo dos 6% em setembro, mas 1,2 ponto porcentual maior que o verificado em outubro do ano passado.

"Alguns bancos ficaram bem expostos nos seus processos de concessão de veículos. É natural que haja essa retração para limpar um pouco essa carteira e diminuir a inadimplência", diz Dorival Dourado, presidente da Boa Vista Serviços, administradora do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Construção terá corte de impostos de R$ 3,4 bilhões




Cobrança previdenciária será de 2% sobre o faturamento bruto e Caixa terá R$ 2 bilhões em financiamentos mais baratos ao setor

JOÃO VILLAVERDE, BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

Pressionado pelo fraco ritmo da economia e dos investimentos, em especial, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem novas medidas de estímulo à atividade. Desta vez, o setor beneficiado foi a construção civil, responsável por 4,9% de todo o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Ao todo, o governo federal vai abrir mão de R$ 3,4 bilhões em arrecadação de impostos, além de oferecer R$ 2 bilhões em financiamento mais barato ao setor.

A partir de março, as empresas do setor passarão a recolher a contribuição previdenciária de seus trabalhadores com uma alíquota de 2% sobre o faturamento bruto - a alíquota de 20% sobre a folha de pagamento será zerada. Com isso, a renúncia fiscal da Receita Federal, somente com essa contribuição, será de R$ 2,85 bilhões em 2013.

Mantega ressaltou que a medida é de caráter permanente - de acordo com a legislação em vigor, criada no programa Brasil Maior, a desoneração da folha de pagamentos vai até dezembro de 2014.

Segundo Mantega, com a desoneração as empresas recolhem hoje R$ 6,2 bilhões por ano à Previdência, e, com a nova fonte de tributação (o faturamento bruto, e não mais a folha de pagamento), vão economizar R$ 2,85 bilhões anuais.

"São R$ 2,85 bilhões a menos que o setor pagará para o ano. Poderá reduzir preços dos imóveis, aumentar produtividade e aumentar investimentos", disse Mantega.

Emprego. Segundo a presidente Dilma Rousseff, a medida "reduz o custo das empresas do setor e facilita a contratação de mão obra". Dilma destacou que os incentivos vão tornar "a indústria da construção civil mais competitiva".

As medidas foram anunciadas ontem no Palácio do Planalto, durante cerimônia de entrega da milionésima moradia do programa Minha Casa, Minha Vida.

Além da desoneração da folha de pagamentos, as empresas do setor terão uma linha especial de crédito para capital de giro oferecida pela Caixa Econômica Federal. Ao todo, a Caixa vai oferecer R$ 2 bilhões a juros de 0,94% ao mês, com prazo até 40 meses para empresas com faturamento anual de até R$ 50 milhões.

Maior financiadora do setor de habitação no Brasil, a Caixa estima que os desembolsos para crédito habitacional vão atingir R$ 92,1 bilhões em 2012, ante R$ 69,6 bilhões no ano passado e R$ 55,6 bilhões em 2010.

Regime. O Ministério da Fazenda também alterou regras do Regime Especial de Tributação (RET) do setor da construção. A alíquota geral do regime foi reduzida ontem de 6% para 4%, após cortes nos quatro tributos incluídos no regime - Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL), Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Com isso, o governo estima abrir mão de R$ 411 milhões em arrecadação no ano que vem.

Finalmente, o governo ampliou de R$ 85 mil para R$ 100 mil o valor máximo dos imóveis residenciais de interesse social, que no regime especial de tributação têm alíquota de apenas 1% sobre o faturamento. A equipe econômica avalia que deixará de recolher R$ 97 milhões em 2013 com esse estímulo.

De acordo com o ministro da Fazenda, as medidas vão diminuir o custo das moradias no País, ao reduzir o custo de produção das empresas.

Segundo dados apresentados por Mantega ontem, extraídos da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio (Pnad) de 2011, a construção civil conta com 7,7 milhões de trabalhadores. No ano que vem, a massa salarial do setor será de R$ 31,4 bilhões, de acordo com estimativa do Ministério da Fazenda.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

CONSTRUÇÃO CIVIL: Empresários apresentam plano para o setor


Brasil Econômico

Empresários paulistas entregaram ontem a representantes das três esferas de governo um plano para impulsionar a construção civil nos próximos dez anos. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) avalia que, para garantir o crescimento do setor, é preciso superar gargalos da cadeia produtiva. O Programa Compete Brasil propõe mudanças na área de planejamento e gestão, segurança jurídica, fonte de recursos, mão de obra, tributação e eficiência produtiva.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Controladora da Imovelweb ganha aporte de US$ 30 mi



Navent, gestora de portais de anúncios imobiliários, teve 20% de sua participação adquirida pelo fundo Riverwood Capital

Regiane de Oliveira
roliveira@brasileconomico.com.br

A Imovelweb acaba de ganhar novo fôlego para acelerar seus planos de expansão no Brasil. A Navent, empresa de classificados online de imóveis e empregos na América Latina, que controla o portal brasileiro, recebeu um aporte de US$ 30 milhões da Riverwood Capital, private equity especializado em tecnologia, que tem participações em empresas nacionais como Mandic e Alog Datacenters. O fundo adquiriu 20% de participação pertencentes a acionistas minoritários na Navent; os 80% restantes, foram comprados há dois anos pela Tiger Global Management, que tem em seu portfólio sites como Decolar e Netshoes.
A notícia animou o CEO da Imovelweb, Roberto Nascimento. Segundo ele, o capital será usado para expandir os negócios da Navent na América Latina, com foco nas empresas com maior potencial de crescimento. “A Imovelweb é uma empresa com 12 anos de existência, mas trabalhamos como se fosse uma startup, por conta da velocidade de expansão do negócio nos últimos anos”, afirma. “Quando comecei na empresa, em maio, tínhamos 80 mil anunciantes pagos. Hoje, estamos com 350 mil”, comemora.
Nascimento sabe, no entanto, que vai ter de disputar os recursos com outra empresa da Navent, a Bumeran, site de anúncios de empregos, líder em vários países da América Latina com cerca de 5 milhões de usuários únicos e 50 mil anúncios de emprego. “A Bumeran é uma empresa madura, mas com muito potencial de crescimento”, diz. A diferença fica por conta do mercado brasileiro, cuja economia está mais atrativa que nos demais países da região.
Se depender de Nascimento, os recursos já têm destino certo: ir às compras para consolidar os negócios da Imovelweb em todas as regiões do país, e ampliar a estratégia de marketing. No ano passado, o portal adquiriu o controle do Imovel-Pro (IPro), site e empresa de tecnologia de Santa Catarina, especializada no desenvolvimento de soluções para o mercado imobiliário e o ImoveisCuritiba, maior site de aluguel e venda de imóveis da capital paranaense.
O executivo antecipa que estas ações vão fazer com que a empresa dobre seu faturamento no fechamento de 2012, em comparação com os dados do ano anterior, apesar de não divulgar valores absolutos.
A Imovelweb tem hoje mais de 5 milhões de visitas mensais e disputa a liderança do mercado de classificados no país com os portais Zap Imóveis e Viva Real. E, dependendo da metodologia de análise de visitas ao si-te, ora aparece na primeira posição, ora na terceira. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Telha Norte no Black Friday


A rede de construção Telhanorte dará descontos de até 70% em seus produtos por conta do Black Friday, iniciativa do segmento varejista de comercializar seus itens com preços especiais. Ao todo, 37 lojas da empresa em três estados do país darão descontos nos produtos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Bioarquitetura ganha espaço



Recursos naturais, como o barro, podem ser utilizados com bons resultados na construção

Cristina Ribeiro de Carvalho
ccarvalho@brasileconomico.com.br

Aliar construção e sustentabilidade é uma das novas premissas do setor, que passa a chamar a nova técnica de bioarquitetura, como conta o arquiteto alemão Gernot Minke. A prática consiste, de acordo com Minke, em utilizar materiais naturais, do local. “Isso significa que é preciso aproveitar o passivo dos recursos naturais iluminação natural, ventilação e microclimas -junto com a obtenção da eficiência energética do lugar. E o Brasil é rico neste aspecto, pois é um país ensolarado”, explica o arquiteto.

A bioarquitetura considera não apenas seus aspectos técnicos, mas analisa toda a cadeia produtiva ao qual perpassam, desde a extração e o manejo da matéria-prima até as distâncias percorridas em seu trajeto, os processos de transformação e incorporação de substâncias, a durabilidade, degradação e sua reintegração à natureza.

“Analisando o ciclo de vida dos materiais, obtem-se dados sobre os impactos que causam à natureza e à saúde humana, sendo possível tomar decisões conscientes e comprometidas com o meio ambiente e com as gerações atuais e futuras”, completa.

Dentro da bioarquitetura, Minke conta ainda que é possível usar terra argilosa, o barro. Uma das técnicas principais da bioarquitetura é a construção com terra crua.
“Em vez de utilizar energia para fazer tijolos, essa técnica propõe a utilização da terra crua, que tem um processo de secagem natural e não acarreta desmatamento, nem emissão de gás carbônico na atmosfera como os tijolos cozidos”, detalha.

Ainda de acordo com Minke, os benefícios vão além da sustentabilidade, pois esse tipo de tijolo possui ótima qualidade termoacústica. “São assentados com a mesma mistura de sua composição e podem formar paredes autoportantes (dispensam pilares) ou de vedação.

Quanto ao que pode ser construído com esse tipo de barro, o especialista aponta todos os tipos de edificações. Entre os exemplos existentes no mundo citado por ele estão creches, salas de multiuso, oficinas, centro de saúde e residências de alto padrão. “Também podemos construir prédios grandes. Temos na Alemanha uma habitação para sete famílias, com três pisos, com esqueleto de madeira e as paredes feitas de barro”, diz. “Não podemos utilizar mais concreto e materiais pré-fabricados, que contribuem para a poluição”.
A construção de paredes com fardos de palha é também uma das técnicas construtivas mais simples, baratas e assimiláveis da bioarquitetura.

Nesse processo, os fardos de palha são empilhados entre os pilares da edificação, proporcionando um bom isolamento térmico e acústico feitos com custos reduzidos. “Esses sistemas já são encontrados perto de aeroportos e rodovias nos EUA e na Europa como barreiras de som”, diz Minke. ■