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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Governo ameaça reduzir imposto sobre aço importado

ALUÍSIO ALVES E ALBERTO ALERIGI JR. - REUTERS
SÃO PAULO - O governo acenou com a possibilidade de reduzir ou até zerar as alíquotas de importação de aço para conter aumentos do produto no país e a CSN alertou que tal medida poderia ameaçar investimentos no setor. "O objetivo é fomentar a concorrência e impedir que o aço suba", disse nesta segunda-feira a jornalistas o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Perguntado se a alíquota pode chegar a ser zerada, o ministro respondeu afirmativamente. O Brasil voltou a tributar no meio deste ano o aço importado em até 14 por cento, em meio às reivindicações de siderúrgicas nacionais que ganharam força com o agravamento da crise econômica global. O governo havia zerado as alíquotas de importação de uma série de tipos de aço em 2005, em um momento de consumo e preços dos produtos siderúrgicos em alta. Com a desaceleração da economia global no final de 2008, a demanda por aço caiu em todo o mundo. Mas o aquecimento da atividade nos últimos meses tem reaquecido a demanda por produtos siderúrgicos, levantando receio pelas indústrias consumidoras de reajuste de preços. A CSN informou que está promovendo reajuste do aço de 10 por cento para a cadeia distribuidora no país, mas o presidente-executivo da siderúrgica, Benjamin Steinbruch, garantiu manutenção dos preços para os clientes industriais até o final do ano. "Estamos fazendo uma correção na distribuição única e exclusivamente. Os preços de clientes industriais estão fechados até dezembro", disse Steinbruch. "Com relação ao aumento, o que eu tinha falado para o ministro Mantega é para ele ficar tranquilo que não existe possibilidade de reajuste de preço para a indústria até o final do ano", prosseguiu. Procurada, a Gerdau informou, por meio da assessoria de imprensa, que "não houve e não há nenhuma previsão de aumento" de preços em suas linhas de aços longos comuns e aços longos especiais para o mercado interno até o final do ano. A empresa ressaltou, ainda, que "reduziu o preço do vergalhão em mais de 15 por cento neste ano e em mais de 20 por cento no caso de itens como treliças e telas para concreto". Na semana passada, a Gerdau já tinha informado às construtoras não haver previsão de reajuste dos preços em 2009, em carta encaminhada ao Sindicato da Indústria da Construção Civil de São Paulo (SindusCon-SP). Steinbruch, da CSN, disse também que a eventual mudança da alíquota sobre o aço importado atrapalharia planos de investimento do setor siderúrgico. "Nós pensamos muito a médio e longo prazo, então uma mudança (na tributação do aço importado) seria um complicador." "O governo tem que entender que existe produto boiando em toda parte e precisa tomar cuidado para evitar que ocorram importações que exportem empregos", finalizou o executivo.

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