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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Pela simplificação do processo de financiamento


Pela simplificação do processo de financiamento

CLÁUDIO ELIAS CONZ - Presidente da Associação nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco)

Recentemente, o governo finalmente regulamentou a linha Financiamento de Material de Construção (Fimac) com recursos do FGTS, que tinha sido aprovada pelo Conselho Curador do FGTS em janeiro passado. Com juros de 1% ao mês, o Fimac/FGTS tem limite de financiamento de até R$ 20 mil, prazo de pagamento de até 120 meses (10 anos) e o dinheiro não será descontado do FGTS do trabalhador. A medida deve beneficiar, sobretudo, quem precisa fazer pequenas reformas, já que a média de empréstimos para esse tipo de obra é de R$ 8 mil.
Como membro do Conselho Curador, acredito que a nova linha vai fortalecer o desempenho do setor de material de construção, que sofreu em 2012 com a falta de crédito no mercado. Apesar dos seguidos anúncios de redução dos juros, o consumidor ainda não estava encontrando taxas de juros mais baixas no mercado e isso fez com que se iniciasse um processo de desconfiança do nosso cliente (quando não tem dinheiro sobrando, o nosso consumidor passa a investir em itens de primeira necessidade). Além disso, o nosso setor, hoje, concorre com segmentos como eletroeletrônicos e automóveis e, diferente desses setores, precisa de um planejamento maior.

Ao oferecer mais acesso ao crédito a juros menores, estamos investindo também na diminuição do déficit habitacional

É verdade que a linha esbarrou em uma série de questões burocráticas, mas o que importa é que desde 1 de novembro ela esta disponível ao consumidor final e será mais um instrumento de melhoria, ampliação e reforma do estoque de imóveis hoje financiados pelo FGTS. Sem contar que, oferecendo mais acesso ao crédito a juros menores, estamos investindo também na diminuição do déficit habitacional, afinal aproximadamente 6 milhões de brasileiros ainda vivem em casas sem banheiro ou sanitário. Sob outro ponto de vista, um levantamento da Serasa Experian mostra que 15 milhões de brasileiros saíram da lista de inadimplência este ano, se tornando aptos a voltar a comprar a prazo. E a tendência é que esses consumidores façam parte da parcela da população que vai investir na casa própria, afinal através de ações como trocar o piso e a cerâmica do banheiro, reformar a sala ou pintar a parede, o consumidor também está contribuindo com uma valorização de cerca de 20% do seu imóvel.
As primeiras liberações de crédito da linha Fimac devem ocorrer em 30 dias e o volume disponível para utilização é de R$ 300 milhões, mas pode chegar a R$ 1 bilhão, dependendo da demanda. O impacto da medida será muito positivo para o mercado, afinal são 138 mil lojas de material de construção no país, sendo 98% delas pequenas e médias, que podem vender mais em um momento em que precisamos melhorar nosso desempenho. A nossa expectativa é que, além de facilitar o acesso ao crédito a juros menores para o consumidor final, a nova linha também contribua para a simplificação dos processos de tomada de financiamentos para esse fim no nosso país.
Certamente quem tem a ganhar é o consumidor final e o nosso país, que finalmente vai permitir que o trabalhador volte a investir na melhoria de sua casa própria, que agora não está mais tão distante de se tornar um sonho possível.

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