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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Abramat prevê alta de 4,5% nas vendas de materiais


Por Ana Fernandes e Chiara Quintão | De São Paulo

A indústria de materiais para construção, que teve um desempenho modesto no ano passado, apresenta perspectivas positivas para 2013. A Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) divulga hoje expectativa de crescimento de 4,5% das vendas do setor para o ano. "E essa expectativa, pode-se dizer, será com viés de alta", disse Walter Cover, presidente da Abramat, em entrevista ao Valor, ao afirmar que essa elevação pode ser ainda superior, de até 5%.

O número poderá representar uma aceleração significativa em relação ao ano passado. A Abramat ainda não consolidou os dados, mas a última estimativa apresentada era de um aumento tímido de 2% nas vendas em relação a 2011. Considerando os dois principais segmentos desse setor, a estimativa da associação apontava uma alta de 4% para materiais de acabamento e de 1% para materiais de base, que sofreram com a freada em obras de infraestrutura no país.

Para 2013, a Abramat espera que a divisão de materiais de acabamento continue puxando as vendas, mas poderá ter um equilíbrio maior entre os dois segmentos. A previsão é que esses materiais, utilizados nas fases finais das obras, cresçam na faixa de 6%, enquanto os produtos de base avancem cerca de 3%, informou Cover.

Pela ótica do consumo, a venda de materiais é dividida em três principais mercados, de varejo, puxado pelas reformas residenciais; imobiliário, que se resume a empreendimentos novos com consumo das construtoras; e infraestrutura, que representa a compra de materiais para grandes obras, como de rodovias, ferrovias, portos e estádios para a Copa de 2014.

A expectativa da Abramat é que o varejo repita, neste ano, o desempenho do ano passado, com crescimento da ordem de 7%. Cover afirmou que essa avaliação se deve à continuidade de fatores como aumento da renda das famílias e alto nível de emprego. O mercado imobiliário também pode manter o ritmo de crescimento, da ordem de 4% ao ano, pois a queda de lançamentos das incorporadoras só será sentida em 2014, segundo o executivo. De acordo com Cover, o grande fator de otimismo são as obras de infraestrutura, que serão retomadas mais fortemente no segundo semestre. Esse setor, que teve uma queda estimada em 10% nas vendas do ano passado, crescerá 6% em 2013, de acordo com a Abramat. "Esperamos que as obras de rodovias, ferrovias e portos comecem a sair já no primeiro trimestre e isso surta efeito para venda de materiais na segunda metade do ano".

Principalmente entre as fabricantes de materiais para acabamento, o clima é de otimismo quanto à evolução das vendas em 2013. A Deca, divisão de louças e metais sanitários da Duratex, e a Eternit não deram números, mas vão manter crescimento acima do desempenho de mercado, como em 2012.

Até setembro do ano passado, a Deca acumulava receita de R$ 863 milhões, alta de 7,3% na comparação com os nove primeiros meses de 2011. Em entrevista ao Valor Pro, serviço de informação em tempo real do Valor, o diretor comercial da Deca, Roney Rotenberg, disse que as vendas cresceram ainda mais entre outubro e dezembro. "Estamos bastante otimistas. No último trimestre do ano, as lojas estavam cheias e o pessoal comprando".

Elio Martins, presidente da Eternit, afirmou que a perspectiva otimista se sustenta nos indicadores atuais de emprego e renda, nas linhas de crédito disponíveis, nas unidades habitacionais a serem construídas para o programa Minha Casa, Minha Vida e nos investimentos em infraestrutura. A Eternit acumulou receita líquida de R$ 651 milhões, alta de 8% em relação a igual período de 2011.

A Eucatex, por sua vez, afirmou ver quadros distintos para suas diferentes linhas de produto. A empresa informou que repetirá o crescimento das vendas de painéis para portas e de pisos laminados, que avançaram respectivamente na faixa de 10% e 30% em 2012. Já a divisão de tintas, a empresa tem expectativa que se recupere de uma estagnação para uma alta de 4% a 5% em 2013.

Ao Valor Pro, o vice-presidente e diretor de relações com investidores da companhia, José Antonio Goulart de Carvalho, disse não compreender por que a divisão de tintas da companhia teve esse desempenho fraco em 2012, já que é um produto consumido majoritariamente para reformas e o consumo das famílias seguiu aquecido. "Não entendo por que este ano [2012] foi tão morno; o nível de emprego, a massa salarial continuam muito positivos". De toda forma, o executivo se disse convicto de ter elementos para sustentar um "otimismo responsável", sem previsões de grandes revés nos negócios este ano. Até setembro, a Eucatex acumulou receita líquida de R$ 699 milhões, em alta de 4,8% na comparação com os nove primeiros meses de 2011.

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